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Huacatay: O tempero andino que agora mora no meu quintal

Huacatay: O tempero andino que agora mora no meu quintal
Daniel Crocciari
Por: Daniel Crocciari
Dia 09/07/2025 00h00

Quem diria que um pedacinho dos Andes viria parar aqui no Japão? Recentemente ganhei uma muda de huacatay, uma plantinha com nome exótico, aroma inconfundível e um baita potencial na cozinha. Claro que fui logo pesquisar, testar e como sempre contar tudo aqui no Potaste.

O que é o huacatay?


O huacatay (pronuncia-se "uacatai") é uma planta originária da Cordilheira dos Andes, muito usada na culinária peruana e boliviana. Seu nome científico é Tagetes minuta, e em português às vezes é chamada de menta negra, erva-dos-Andes ou até tagete-bravo.

Apesar de parecer uma erva daninha para quem não conhece, suas folhas escondem um aroma entre manjericão, menta e coentro, com um leve toque cítrico. É poderosa! Um pouquinho já dá sabor a molhos, carnes e até massas.

Como estou cultivando (e o que descobri com meu colega)
Plantei em um vaso, com terra solta e rica. Ela gosta de sol pleno, mas o que me surpreendeu foi a resistência ao frio: o amigo aqui em Nagano que me deu a planta me contou que, mesmo com neve, ela sobrevive!

No inverno, a planta perde as folhas e parece que morreu. Mas quando as temperaturas começam a subir, ela rebrota naturalmente, mostrando que é mais resistente do que parece.

Se você está pensando em cultivar, fica a dica: o huacatay cresce rápido e alto. Vai bem no solo ou em vaso grande. E ainda ajuda a afastar insetos ou seja, útil até para quem cultiva outras ervas por perto.

Na cozinha: testado e aprovado

Preparei um molho peruano clássico, o salsa de huacatay. Misturei huacatay fresco com alho, pimenta (usei shishitou por aqui), suco de limão e um pouco de azeite. Resultado? Um molho verdinho que transformou um simples frango grelhado em algo digno de restaurante.

Também testei picar as folhas bem fininhas e misturar com arroz cozido, tipo "arroz de ervas". Fica fresco e aromático. E o melhor: não precisa exagerar com poucas folhas já se sente o sabor.

Benefícios medicinais (e curiosos)
Além do uso culinário, o huacatay é conhecido na medicina tradicional andina por aliviar:

Problemas digestivos
Infecções respiratórias
Parasitas intestinais
Dizem até que chá de huacatay espanta os "malos espíritus" mas por aqui ele espantou mesmo foi a dúvida sobre como dar mais vida aos pratos do dia a dia.

Huacatay: Propriedades, Benefícios e Cuidados com a Erva dos Andes

Além de perfumar a cozinha com seu aroma inconfundível, o huacatay (Tagetes minuta) também tem um histórico respeitável na medicina tradicional andina. Usado há séculos por povos indígenas do Peru e Bolívia, ele é muito mais do que um simples tempero é quase um “kit de primeiros socorros” em forma de planta.

Propriedades medicinais do huacatay


O huacatay possui diversos compostos bioativos, entre eles óleos essenciais, como o tagetona (semelhante ao timol), que tem propriedades antimicrobianas. As folhas e flores contêm também flavonoides e antioxidantes que ajudam na proteção celular.

Entre as principais propriedades reconhecidas estão:

Expectorante e broncodilatador: usado em chás ou vapores para aliviar tosse, bronquite e congestão nasal.
Digestivo e vermífugo: tomado como infusão ajuda a combater parasitas intestinais e a melhorar a digestão após refeições pesadas.
Carminativo: reduz gases e desconforto abdominal.
Antisséptico: o óleo essencial é usado de forma externa para desinfetar feridas leves ou combater fungos.
Levemente sedativo: em algumas culturas, acredita-se que o chá também ajude a acalmar a mente e melhorar o sono.

Como é usado na medicina tradicional?

Infusão (chá): feito com folhas frescas ou secas para tratar gripe, dor de estômago e náuseas.
Banhos ou compressas: usados para dores musculares, reumatismo ou “mau olhado” (sim, há um uso espiritual envolvido em algumas regiões).
Inalação de vapor: para liberar o nariz entupido e limpar as vias respiratórias.
Há contraindicações?
Sim, embora o huacatay seja natural, não é isento de precauções:

Gravidez e lactação: deve ser evitado, pois não há estudos suficientes sobre sua segurança nessas fases.
Uso excessivo: em altas doses ou consumo prolongado, os óleos essenciais podem ser irritantes ao fígado ou rins.
Alergias: pessoas sensíveis a plantas da família das margaridas (como camomila, arnica, dente-de-leão) devem testar com cautela.
Importante: sempre que possível, consulte um profissional de saúde antes de fazer uso medicinal contínuo de qualquer planta, mesmo as mais tradicionais.

Quando ganhei a muda de huacatay, ativei meu radar de quem cresceu no mato. Olhei bem pras folhas, fininhas e teimosas, e falei pro meu amigo: “Se eu tiver sorte, essa planta vai morrer.”
Não é maldade, é sabedoria de roça: é porque ela tem toda a cara de erva daninha. Daquelas que você joga no quintal e, mesmo esquecendo de cuidar, ela cresce e ainda te agradece com cheiro e sabor.


E se você quer saber mais sobre ervas daninhas saborosas, dá uma passada no artigo sobre tiririca!

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