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Tiririca: a "erva daninha" que pode virar alimento

Tiririca: a "erva daninha" que pode virar alimento
Daniel Crocciari
Por: Daniel Crocciari
Dia 06/07/2025 16h17

Se você cresceu no Brasil, com certeza já viu a tiririca no quintal, no canteiro, ou sendo xingada por algum agricultor. Pequena, teimosa e com raízes profundas, ela é geralmente tratada como erva daninha. Mas e se eu te disser que, dependendo da espécie, ela pode ser comestível e até medicinal?

O que é a tiririca?

A tiririca pertence ao gênero Cyperus, da família Cyperaceae. São plantas herbáceas, geralmente rasteiras, com folhas finas e caule triangular. A mais conhecida como comestível é a Cyperus esculentus, também chamada de chufa, souchet ou amêndoa-terrestre.

Nem toda tiririca é comestível — algumas podem causar desconforto gastrointestinal — mas a C. esculentus é consumida em várias partes do mundo há milênios.

Uma raiz que alimenta

O que se come da tiririca comestível são os tubérculos. Eles parecem pequenas bolinhas marrons e têm um sabor adocicado, que lembra amêndoa ou coco queimado. Na Espanha, esses tubérculos são a base da famosa bebida horchata de chufa.

Em alguns países africanos e até no Peru, essa planta é cultivada como alimento nutritivo, rico em fibras, ferro, magnésio e antioxidantes.

Propriedades medicinais

Além do valor nutricional, estudos apontam que a tiririca pode:

  • Auxiliar na digestão
  • Combater gases e inchaço abdominal
  • Possuir ação antimicrobiana leve
  • Reduzir os níveis de colesterol

Ela ainda é usada na medicina tradicional chinesa e ayurvédica como regulador hormonal e estimulante digestivo.

Uma planta ancestral

Sementes de chufa foram encontradas em túmulos egípcios, e há registros de que era consumida por faraós. Sua resiliência no solo e facilidade de cultivo fizeram dela uma planta de sobrevivência.

Hoje, mesmo considerada uma "praga" por muitos agricultores, a tiririca ressurge nos círculos de agricultura regenerativa e culinária ancestral como um alimento a ser resgatado.

Identificação e cuidados

Antes de sair colhendo qualquer tiririca do quintal, é importante lembrar:

  • Existem várias espécies do gênero Cyperus, e nem todas são indicadas para consumo direto..
  • A mais conhecida como comestível segura é a Cyperus esculentus, usada inclusive na culinária tradicional de outros países.
  • A Cyperus rotundus (a mais comum nos quintais) também é consumida em algumas regiões, geralmente em forma de farinha, pó torrado ou infusão, mas seu uso requer conhecimento e moderação, pois ela possui compostos bioativos que atuam no sistema nervoso e digestivo.
  • Evite plantas de locais com uso de agrotóxicos ou contaminados.
  • Se tiver dúvidas, procure fontes botânicas confiáveis ou alguém que entenda do mato (de preferência, aquele tipo de tia que cozinha com folha de bananeira e sabe o nome de tudo).

Importante: Se você já consome tiririca e está lendo isso pensando "ué, mas eu como!", saiba que você pode estar certo — só esteja atento à espécie e ao preparo. Afinal, até mandioca precisa de preparo certo, né?

Na próxima postagem: aprenda a transformar os tubérculos da tiririca em um ingrediente delicioso: do campo direto pro prato!

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